

::: Entrevista
Maurício
Mugnaini

Odiretor da distribuidora de software DSW e presidente da Fenainfo – Federação Nacional da Informática esteve em Natal no dia 22 de junho para acompanhar uma programação intensa organizada pela Assespro/RN sob a coordenação do presidente George Bulhões. Maurício Mugnaini falou do seu trabalho, da sua experiência profissional, a proximidade com o poder em Brasília e do seu entusiasmo pela informática do Rio Grande do Norte.
A Informática em Revista teve acesso a ele e fez esta entrevista, no saguão do Hotel Holliday Inn Express, na Praia de Ponta Negra, antes do café da manhã. Simpático e antenado com tudo o que ocorre no meio, Maurício tem uma impressionante vitalidade e a sua capacidade de liderança é um ponto importante para auxiliar, ajudar, assessorar profissionais e empresários no ramo que escolheu para trabalhar.
Informática em Revista. = Maurício fale um pouco da sua empresa.
Maurício Mugnaini = Tenho a minha distribuidora de software há 23 anos, a DSW. A princípio a sede era no Rio de Janeiro, mas há 10 anos estou em Niterói. São cinco empresas que represento: WK Sistemas, Microton Tecnologia, TecnoSpeed, Casa de Software e Softplan. Hoje tenho uma retaguarda muito eficiente que, quando estou ausente, dá conta do recado e assim fico tranqüilo nas minhas viagens pela Fenainfo.
E a Fenainfo?
A Fenainfo – Federação Nacional da Informática foi criada praticamente na época em que criei a DSWK, há 21 anos, mas ficou 11 anos inativa por conta de uma impugnação administrativa do governo federal. Em 2000, definitivamente reconhecida, assumi a presidência e de lá pra cá o trabalho tem sido intenso. Atualmente a Fenainfo tem 15 Sindicatos associados, com código vinculado. Eram sindicatos vinculados a Federação do Comércio que, quando a Fenainfo foi registrada, aos poucos eles foram passando pra nós.
Alguma resistência nessa migração?
Sim, sempre há, mas com o tempo, os sindicalistas viram que o caminho normal seria a Fenainfo, e estamos consolidados. Aos poucos estamos nos fortalecendo como entidade e isso é bom.
Algum fato relevante nesse processo?
Sim, em 2008 foi criada a CNS – Confederação Nacional de Serviços, na qual a Fenainfo é filiada. A CNS é um órgão superior que fiscaliza e dá sustentação aos atos da Federação.
A Fenainfo tem sede no Rio de Janeiro, mas o poder está em Brasilia. Há intenção de vocês irem pra lá?
Sim. Até o final deste ano estaremos com sede em Brasilia. Lá temos nossa articulação junto ao poder central, sob a coordenação de Leonardo Bucher, assessor legislativo, que faz um trabalho técnico, muito profissional. No Congresso temos a frente Parlamentar de Informática, composta de 193 deputados e mais de 20 senadores, sob a coordenação da Dep. Profª. Raquel Teixeira, do PSDB de Goiás.
O que a Fenainfo defende?
Estivemos presentes nas mais importantes discussões da última década: a desoneração para o programa PC Conectado, a manutenção dos 3,65% de Pis/Cofins para empresas de informática, a licença de uso de software como item de serviços na Lei Complementar 116, a inclusão das empresas de TI no Simples Nacional, a linha de crédito do FAT para informatização de MPEs. Hoje, estão em pauta a preferência por contratação de Software Livre no setor público, que nos posicionamos contra; a normalização do tele-trabalho; a regulamentação profissional, entre outras; mas, o que mais nos preocupa no momento é a crescente estatização de serviços que passam a ser identificados como estratégicos, sem nenhum amparo legal. Por fim, a PEC 517/2006 que versa sobre a imunidade tributária do software é o nosso projeto mais ambicioso.
Sua vinda ao Rio Grande do Norte prende-se a que?
Recebi o convite de Adriano Motta para acompanhar a criação do Sindicato das empresas de T.I. - SETIRN e acompanhá-los em outros eventos, entre eles a proposta da criação de uma empresa de reciclagem de lixo eletrônico, em visita ao Idema, e também fazer uma visita oficial a Seplan de Natal a fim de propor mudança na legislação do ISS - Imposto sobre serviço. Costumo usar muito essa frase: “O mínimo é o máximo”, referindo-se ao mínimo constitucional de 2%. É preciso lutar para que mais empresas saiam da informalidade fiscal e somente com a redução de impostos isso será possível, como acontece em outras capitais. Por exemplo, em Florianópolis é assim. Lá a Lei Municipal Complementar 729/2006 manteve 2% a alíquota desde 2000, do ISS. O crescimento foi acima do esperado. É um, entre muitos exemplos e eu acho que tanto a Assespro, como o Setirn devem lutar, com paciência, talento e argumentos. Nenhum governo gosta de reduzir impostos, mas é preciso conhecer as razões de nosso pleito.
E sobre o lixo eletrônico, o que o senhor acha?
Acho muito oportuna a idéia. No Espírito Santo está sendo criada uma incubadora para essa finalidade, que é a de recolher e reciclar o lixo eletrônico. É preciso criar uma empresa de economia mista aqui no Estado, com a participação de empresas privadas e governos. Com a recepção do Idema, através do seu diretor Leonardo Tinoco, acredito que o RN terá em breve sua incubadora.
Gostou de Natal?
Gostei de tudo. Fico muito agradecido pela hospitalidade de vocês e pelos projetos de crescimento.
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