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::: JairoOliveira (Diretor da Escola de Talentos)

Carência afetiva corrói
a gestão familiar nas empresas

Agestão familiar começa dentro de casa. São os pais quem estabelecem os valores éticos e morais para os filhos, através de suas práticas em todo o processo educativo. O discernimento dos filhos depende totalmente do que os seus pais valorizam e demonstram em suas atitudes. No processo de educação as palavras alertam, mas são as ações que ensinam. Se as atitudes dos pais forem incompatíveis com o seu verbo, sem dúvida, as suas palavras cairão em meio ao vazio.
Uma criança é um ser humano em formação, até seus sete anos de idade, a sua consciência é como uma massa de modelar. As ações dos seus pais modelarão a sua auto-crença, e sem dúvida, o canal da afetividade, que é o principal fator em sua formação, definirá o seu desenvolvimento sócio afetivo.
Conheci o Sr. Mário*, um empresário muito bem sucedido nos negócios, mas infeliz nas relações familiares. O modelo de pai que os seus filhos desejavam era o oposto de como o mesmo se apresentava, no entanto ele era muito admirado como profissional. Tive a oportunidade de conhecê-lo intimamente. Em nossas conversas, tomei conhecimento de como tinha sido a sua infância. Os seus pais eram pessoas rudes, de poucas posses e pouca formação, trabalharam na lavoura e não tiveram afetividade de seus pais, que só conheceram o trabalho pesado e criaram as suas famílias da forma como podiam, utilizando da violência para conseguir de seus filhos a obediência.
As limitações que a condição financeira de sua família apresentava, foi o que impulsionou o Sr. Mário a lutar para mudar a vida. Ele prometeu para si mesmo que não queria viver na mesma situação que seus pais. Logo cedo tentou estudar, procurou se informar para aumentar as suas chances em melhorar de vida. Como todo jovem, ele tinha sede de viver, mas seus pais não lhe ensinaram como construir e valorizar seus laços afetivos, muito embora não concordasse com as formas de tratamentos deles, essas foram as únicas formas que aprendeu para dar respostas aos seus relacionamentos.
Aprendeu a ser indiferente e não externar suas emoções. Homem pouco tolerante, sempre com os nervos à flor da pele. O seu medo de ser rejeitado fazia com que ele não demonstrasse seu carinho pelas pessoas. Mais tarde isto se tornou sua maior dificuldade no relacionamento com sua esposa e filhos. O Sr. Mário conta que enfiou a cara no trabalho e por isso participou muito pouco da educação dos filhos. Sempre colocou as empresas como prioridade em sua vida, mantendo assim, uma distância afetiva de sua família.
O empresário admirado por todos, não conseguiu se tornar um homem admirado pela própria família. A sua postura fria educou filhos gelados e descompromissados com o negócio, afinal tiveram que disputar a atenção do pai a vida inteira, com as empresas. A postura rígida e exigente do Sr. Mário ameaçava a continuidade do negócio.
Hoje, os filhos de Mário acreditam que para serem felizes tenham que ser o oposto dele. Eles acreditam que o amor à família está acima de tudo, e que a valorização dos negócios atrapalha o amor que a família tanto precisa. Esta experiência com o Sr. Mário me fez perceber que a gestão familiar de sucesso é aquela que começa dentro de casa, e depende intimamente da forma que o gestor gerencia o amor da família.
O processo de sucessão familiar é facilitado quando há um enorme respeito e admiração dos filhos pelos pais. Estes sentimentos não são comprados, nem brotam da noite para o dia, eles se formam ao longo da vida, patrocinados por exemplos dignos que abram caminhos para o diálogo e para a valorização da família acima de qualquer empresa.
Para se obter uma efetiva liderança familiar, as empresas devem subordinar as suas prioridades em detrimento das prioridades da família. A gestão familiar nas empresas só obterá sucesso se houver harmonia na educação da família.
*O Sr. Mário é um personagem fictício desta história.










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